25.8.07

DE ESQUINA

E não é que eu achei de novo...?
Pra quem ainda não leu.
E pra quem leu... Faz mal, não, ler de novo!
rsrs..



DE ESQUINA

Eles foram se encontrar na esquina da Av. Princesa Isabel com a Rua Hélio Menelau. Mal sabiam que tudo ia começar naquele instante, no momento em que trocaram seus olhares pela primeira vez. Ela deu a ele um olhar de dúvida, como quem pergunta onde fica a Copiadora Martins. Ele lhe devolveu um olhar surpreso, daqueles de quem encontra a alma gêmea:
- A duas quadras daqui. Estou indo na mesma direção, posso lhe acompanhar até lá. – Disse ele, bem esperto.
João era um cara que sabia reconhecer e agarrar as oportunidades que a vida lhe dava. Maria tinha medo de perder as oportunidades que a vida lhe dava. E encontraram assim, entre aquela esquina e a Copiadora Martins, o impasse de suas vidas.
- Você ainda tem tempo pra tomar um suco de laranja? – Ele tentava retardar a certa despedida que se aproximava, após tê-la esperado tirar suas cópias.
- Acho que sim – Disse ela, sem a mínima vontade de separar-se dele. A afinidade entre os dois era evidente e clara. Naquele primeiro encontro agiam como se se conhecessem há anos. Ele parecia adivinhar os pensamentos dela, e ela, completava suas frases já concordando com suas idéias. O suco terminou virando uma cerveja naquele fim de tarde, e o pôr-do-sol virou a moldura perfeita para aquele quadro que acabava de ser pintado. Maria não sabia o que pensar. Aquele João era a pessoa mais divertida que ela havia conhecido. Trazia nele, não só pedaços dela, como também particularidades que lhe faltavam. Faltavam, e faziam falta! Vai ver era por isso que sentia tantas saudades dele, quando não estavam juntos. A presença de João se fazia sempre urgente, e aquilo a incomodava cada vez mais. Não por saber-se apaixonada por ele, mas por medo de perdê-lo. Ele já nem pensava mais nisso. A vontade que sentia dela lhe tirava a capacidade de pensar. Sabia que aquilo não duraria para sempre, e sua vontade era a de viver intensamente. Mas ela ainda pensava. Adiava uma certeza e prolongava uma espera. Queria tanto não perdê-lo, que parecia estar só esperando esse dia, de tanto que pensava nisso. Ele, paciente, esperava por ela. Viam-se quase todo dia. E conversavam sobre isso quase todo dia. Desejavam-se mais a cada dia.
Foram tomar um suco na Lanchonete Social. Ele tentava explicar a ela:
- A vida é só uma! Não perca oportunidades de ser feliz!
Ela relutava:
- Se eu me entregar a você hoje, sofrerei sem você amanhã.
E aquilo parecia não acabar nunca mais. Ele já desistia de toda argumentação, quando foram dar uma volta pela rua. Nem perceberam que chegaram na fatídica esquina da Av. Princesa Isabel com a Hélio Menelau. Foi justamente quando alguma coisa aconteceu...
- Vamos ser amigos, - disse ela – assim, estaremos sempre um com o outro!
- Mas e a sua boca? Como eu vou ficar sem a sua boca, as suas mãos, os seus...
- Estaremos sempre perto um do outro! Seremos inseparáveis!
E assim foi feito. Separaram-se ali, na mesma esquina onde a vida tentou juntá-los. Foram para suas casas e, na medida do possível, tornaram-se amigos. Conversavam, estavam sempre juntos. Alguns os julgavam amantes, mas eles sabiam: formavam amigos inseparáveis! O tempo foi passando, e Maria encontrou alguém que não tinha medo de perder. Casou-se. João foi seu padrinho de casamento. E de seu primeiro filho, a quem deu o nome de Hélio. A um certo momento, começaram a acreditar que realmente eram e sempre foram amigos. Esqueceram-se de quase tudo.
João apaixonou-se de novo. Ele sabia aproveitar as oportunidades que a vida lhe dava. Desde o início. Não foi da mesma forma pela qual era apaixonado por Maria. Mas apaixonou-se. Teve uma filha que levou o nome de Isabel. A madrinha, era Maria.
Um dia, os afilhados de João e Maria, passeavam de mãos dadas pela rua. Foram criados juntos, e eram muito amigos. Quando crianças juraram amizade eterna. Nunca se separariam! Juntos, passaram pela esquina da Av. Princesa Isabel e Hélio Menelau. Lá, sentaram-se no Café Ceraso, recém inaugurado. Olharam-se de forma diferente e a paixão se fez presente. Juraram amor eterno. E viveram a vida que os pais não quiseram.



Mariana Brito de Oliveira
27/05/04

8.5.07

8 de maio

Quando chega o dia do nosso aniversário, a gente espera que o ano realmente comece.
Que uma nova fase, de fato, se inicie.
Que a gente acorde mais maduro.
Uma nova visão pra uma nova idade.
A gente espera, mesmo, é uma novidade.
Pra sentir que alguma coisa mudou.
Ou pra mudar alguma coisa que sentimos.
Como saber se alguma coisa aconteceu?
Como fazer acontecer uma coisa que SABEMOS que precisa acontecer?
Nunca parei pra me imaginar com 26 anos.
E nunca imaginei parar com um monte de coisa aos 26 anos.
Se o dia de hoje mudou alguma coisa, ainda não tenho certeza.
Mas que eu não esperava quase nada de tudo o que já aconteceu nesse ano, isso eu garanto.
Parabéns pra mim.
E um feliz aniversário.

Por M. B. O.

23.4.07

Eu que fiz! Eu que fiz!!!

"A dor vem quieta.
Quando fala, fala baixo.
Não precisa gritar.
Já dói por si só.
E em pouco tempo vira um barulho ensurdecedor.
Ensurdece a dor.
Que por ser dor, não precisa ouvir.
Por ser dor, precisa doer.
Mas sem escutar, volta ao silêncio.
E no silêncio, descobre sua dor.
A dor da dor é não poder parar.
Dói doendo, respirando, vivendo.
Mas como parar a dor?
Comparar a dor?
Comparando a dor com uma outra dor.
Então a dor se diminui.
E quieta, mesmo, se vai.
Sem se sentir.
Sem nem doer."

Mariana B.

29.3.07

O presente do Infinito

Muitos e muitos anos depois de postar pela última vez, resolvo tirar as teias de aranhas deste blog e atualizar as notícias.
Pus fim ao meu sofrimento e larguei (pelo menos por enquanto) a produção. Retomei a faculdade e gostaria muuuuuuito de conseguir o diploma ainda esse ano, mas se não rolar, rola no primeiro semestre do ano que vem, com certeza!
É interessantíssimo voltar pra faculdade depois de tanto tempo. A postura muda, a responsabilidade amadurece, a atenção só cresce. E as experiências já vividas engrandecem o sentimento de que o tempo passa. E certas coisas devem ter prioridade na nossa vida. Como o presente. E nesse caso me refiro ao tempo do infinitivo. Os verbos precisam ser conjugados pro agora, e as nossas atitudes devem ser comprometidas com o momento em que vivemos. Porque muitas vezes, pensando e planejando o futuro, não percebemos o modo errado com que agimos no presente. Presente esse, que julgamos ser do infinitivo, mas que na verdade é infinito. O futuro? Nós nunca iremos conhecer. A nossa realidade é sempre o presente. É com ela que lidamos todos os dias, todas as horas, todos os minutos, ou seja, pensando no futuro, nos perdemos no presente e não percebemos a importância do agora.
Taí o meu recado.

By Mariana